SP: falta de peritos criminais prejudica serviços no Estado

postado 17/04/2017 por

Sindicato da categoria diz que profissionais enfrentam problemas, porque número é 40% abaixo do necessário

 

A quantidade de peritos criminais é 40% menor do que o necessário no Estado de São Paulo, reclama o sindicato da categoria. O resultado, segundo a entidade, é a ineficiência do Estado para colocar bandidos na cadeia. Enquanto isso, aprovados em concursos públicos não foram chamados.

“Você fica angustiada. Acaba deixando um monte de coisas de lado, porque fica naquela expectativa que pode ser chamada a qualquer momento”, traduz uma moradora da Grande São Paulo, de 32 anos, sobre o sentimento de ter passado em um concurso público e ainda não ter começado a trabalhar.
 
Ela, que pediu para não ter o nome revelado, é apenas uma das milhares de pessoas aprovadas na seleção para perito criminal da Polícia Científica. “O resultado saiu em maio de 2015 e até agora chamaram apenas 30% dos 447 aprovados. Se pelo menos dessem um cronograma”, lamenta.
Efeito cascata
 
O resultado, segundo os funcionários, é a ineficiência do trabalho. Um perito criminal da Polícia Científica em Santos, há 25 anos, ouvido pela Reportagem, diz que, por falta de pessoal, é comum parar um atendimento em Praia Grande para fazer um outro, de emergência, na Ponta da Praia, em Santos.
 
“A logística é bastante complicada, até porque o trânsito está cada vez mais difícil”, diz ele, que também pediu para não ter o nome publicado.
 
Isso gera, segundo o profissional, diversas consequências. “Você vai parar na corregedoria que apura atraso na confecção dos laudos. Tem cobrança também do Ministério Público e aí entramos num círculo vicioso muito ruim”, explica.
 
Há os peritos que não suportam a pressão e acabam pedindo afastamento por problemas de saúde. “É muita pegação no pé”, diz uma fotógrafa da Polícia Científica, afastada do serviço desde o fim do ano passado.
 
Com 23 anos de experiência, ela não resistiu à rotina. “É a pior situação que já vivi nesses anos de polícia. A coisa nunca esteve tão ruim”, reclama.

Números
 
O presidente do Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (Sinpcresp), Eduardo Becker, prevê que a situação pode piorar até o fim do ano, porque cerca de 200 profissionais devem se aposentar.
 
Na opinião de Becker, o Governo Estadual precisa admitir cerca de 500 peritos. A conta leva em consideração o preconizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que seria necessário um perito criminal para atender 5 mil habitantes. Atualmente, São Paulo conta com 1.177 funcionários atuando nessa área, o que dá uma média de um perito para 45 mil habitantes.
 
“O governo tem investido em viatura, mas não tem pessoal. É por isso que você vê tanto carro parado nas delegacias. Um único perito tem que cobrir um raio de 200 quilômetros”, lamenta Becker. 
 
O sindicalista diz, ainda, que São Paulo (Estado com a maior população carcerária do País - mais de 230 mil detentos) não tem nenhum preso cadastrado no banco de dados. “Porque não tem material nem gente para fazer esse serviço”.
 
Respostas
 
A Tribuna enviou uma série de perguntas à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP). Seguem, abaixo, as questões e as respostas dadas pelo Estado. 
 
O Estado pretende chamar peritos aprovados em concurso?
A Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC) informa que, desde 2011, foram contratados para Baixada Santista 37 policiais científicos. Essas contratações são realizadas sempre de acordo com as provisões orçamentárias e com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O número atual é próximo ao considerado ideal pela Superintendência.
 
O Governo concorda com os números apresentados pelo sindicato sobre a defasagem e necessidade de contratações?
Sem resposta.
 
Com a reforma do Palácio da Polícia, para onde iria a Polícia Científica?
Até o momento, o órgão não foi notificado formalmente de necessidade de desocupação, por parte do IC (Instituto de Criminalística), do prédio do Palácio da Polícia.

Quando os cerca de 230 mil detentos serão cadastrados no banco de dados?
A SSP tem realizado estudos baseados em relatórios apresentados pela Polícia Cientifica para viabilizar esse tipo de coleta de DNA.
 
Segunda-feira, 17 de abril de 2017
Fonte: A Tribuna

SHIS QI 9 Conjunto 11 CS 20 - Lago Sul CEP:71625-110
Brasília - DF
 

Telefones: (61) 3345.0882 / 3346.9481 / 3346.7235 / 3345.1123  
Email: apcf@apcf.org.br