Crimes na Internet, com o Caça Hacker da PF Walber Pinheiro

postado 19/05/2017 por

Perito criminal federal fala sobre os cibercrimes

 

Frequentemente ouvimos relatos sobre crimes na internet – a invasão de pessoas mal intencionadas nas redes sociais, para difamar, ameaçar ou, mesmo, gente que se faz passar pelo proprietário da página. Não bastassem esses constrangimentos, existem ainda, os hackers, bandidos que invadem os computadores e apropriam de dados pessoais, bancários ou até mesmo, sequestram as máquinas, através de vírus, que codificam os dados operacionais do sistema, travando totalmente o acesso do usuário, com pedido de resgate, em moeda web, vejam só!

 
Quando o assunto é bandidagem na internet, só me vem à cabeça o caça hacker da Polícia Federal Walber Pinheiro. A seguir, Boa Vida Online repassa as dicas de Walber Pinheiro, sobre como nos proteger em ambiente digital:
 
Aurélia Guilherme – Usuários do meio digital estão sujeitos a que tipo de invasão de pessoas mal intencionadas?
 
Walber Pinheiro – Desde que os bancos adotaram uma politica de instalação de programas, chamados de “guardiões”, as transações bancárias online se tornaram mais seguras. Com a popularização dos smartphones, esses acessos também se tornaram menos vulneráveis. Sendo assim, as fraudes migraram para a geração de boleto de cobrança falso, e pelo sequestro de dados do computador, chamado RANSONWARE.
 
Aurélia Guilherme – Justamente o boleto bancário, que é um jeito bem popular de pagamentos de conta. Como os golpistas agem?
 
Walber Pinheiro – O golpe consiste em adulterar o código de barras do boleto no local onde está a conta corrente que receberá o pagamento. O cuidado principal é observar o campo onde está o número do banco e se ele coincide com o que vai aparecer na tela do caixa eletrônico ou do dispositivo que está sendo utilizado.
 
Aurélia Guilherme – Há como burlar os códigos, mesmo quando o pagamento está atrasado e é preciso recalcular o valor em novo boleto?
 
Walber Pinheiro – Sim, o golpe consiste justamente em trocar esses dados da conta corrente receptora do pagamento. O golpe pode acontecer no seu computador ao gerar o boleto, ou, até mesmo, da própria empresa que gerou o boleto e nos enviou por email.
 
Aurélia Guilherme – Os ciber criminosos conseguem clonar uma página do banco?
 
Walber Pinheiro – Um dos principais golpes era justamente esse, a clonagem da página do banco. Por isso, sempre recomenda-se nunca acessar páginas através de links, em emails. Digite o nome do banco na linha de endereço do seu navegador. NUNCA faça o acesso por links.
 
Aurélia Guilherme – Empresas que emitem boletos tem como tornarem essa ação mais segura?
 
Walber Pinheiro – As empresas sempre buscam a melhoria nos seus sistemas informatizados e isso tem sido constantemente aprimorado.
 
Aurélia Guilherme – Existe algum anti vírus que nos proteja plenamente?
 
Walber Pinheiro – Não existe um anti vírus completo. O melhor de todos, é o uso bom senso, em não abrir anexos suspeitos que podem vir através de emails, ou, até mesmo de arquivos em smartphones.
 
Aurélia Guilherme – Há alguma medida preventiva, que contenha essas situações?
 
Walber Pinheiro – Os principais métodos de prevenção consistem em não utilizar computadores que não sejam os pessoais (de uso próprio) para transações financeiras. Procurar sempre fazer os procedimentos bancários em um mesmo dispositivo. Ter um bom anti vírus e mante-lo sempre atualizado.
 
Aurélia Guilherme – Há como descobrir, de onde veio o invasor?
 
Walber Pinheiro – A policia tem métodos de investigações que permitem determinar a autoria. São complexos, mas temos tido êxito, em boa parte das investigações.
 
Aurélia Guilherme – Quais são as providências que podem ser tomadas?
 
Walber Pinheiro – Em primeiro lugar avisar a instituição financeira, assim que se souber da fraude, fazer um boletim de ocorrência e procurar uma assistência técnica, ou, algum especialista em retirada do artefato malicioso, ou, até mesmo, a formatação de um computador, se for o caso.
 
Aurélia Guilherme – No início dessa entrevista, o senhor falou em sequestro de dados do computador, conhecido como ransomware. O que vem a ser isso?
 
Walber Pinheiro – Ransomware, consiste em um sequestro das informações, que estão no computador da vítima, em que os mesmos são criptografados (as informações são embaralhadas e ficam num formato inteligível) e, só podem ser acessadas, mediante uma senha que foi colocada junto com essa ação.
 
Entenda o que é uma BITCOIN – A Moeda Virtual:
 
Aurélia Guilherme – Como é feito o resgate?
 
Walber Pinheiro – O resgate é feito através do pagamento, que pode ser em depósito bancário, paypal, em contas fora do país, em nome de algum laranja, ou em bitcoin, um tipo de moeda, assim como o real, o dólar ou o euro, só que digital e de livre negociação de seu valor no mercado; tem alta tecnologia, que trava qualquer tipo de rastreamento das partes envolvidas. A ousadia dos ciber criminosos é grande. Eles fazem carteira de identidade, carteira de habilitação, CPF, declaração de Imposto de Renda e, até abrem conta em banco. Só que tudo isso é falso. E assim, concretizam o recebimento do resgate.
 
Aurélia Guilherme – De que forma a máquina e os celulares podem ser infectados?
 
Walber Pinheiro – A grande maioria é feita através da execução ou abertura de anexos infectados.
 
Aurélia Guilherme – Há como desconfiar da invasão de um ransomware?
 
Walber Pinheiro – Nem sempre isso é possível, porque após a infecção, os dados já serão sequestrados. É importante ressaltar que as informações continuam no computador.
 
Aurélia Guilherme – Todos os sistemas operacionais estão vulneráveis aos ransomware, inclusive os Macs?
 
Walber Pinheiro – Já se tem casuística de ransonware infectando, até equipamentos com tecnologia MAC. Sendo assim, todos são vulneráveis. Por isso, é preciso ter um bom anti vírus e bom senso ao acessar arquivos duvidosos.
 
Sexta-feira, 19 de maio de 2017
Fonte: Boa Vida Online

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