Sem sede nem perspectiva
Pouco mais de duas semanas após o incêndio que atingiu o bloco do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), ainda não há previsão para demolição e construção de um novo edifício para o trabalho dos peritos. Além disso, o novo prédio que está sendo construído no complexo servirá apenas para a parte administrativa. Atualmente, o IC conta com 150 peritos, quando o necessário seria um quadro de 400.
De acordo com o secretário-geral da Associação Brasiliense de Peritos em Criminalística (ABPC), Dércio Martins, o incêndio deixou chamuscadas as bordas de cerca de quatro milhões de folhas de documentos. “O IC emite cerca de 30 mil laudos por ano, o que soma 625 deles por semana, e os da semana do incêndio foram queimados”, explica. Martins afirma que a recuperação dos documentos é uma tarefa trabalhosa, pois o IC não conta com laudos virtuais. “Existe um controle que faz a tramitação dos documentos. As sessões internas e externas da polícia fazem os laudos e mandam para o IC. Para recuperá-los, foi feita uma busca nessas sessões. Todo o trabalho está sendo refeito”, esclarece o secretário da ABPC.
Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF), Ciro de Freitas, denúncias foram feitas acerca da estrutura do prédio. “O risco já existe há algum tempo. O prédio foi fundado em 1984. De lá para cá, as
instalações são as mesmas. E o problema não está apenas no IC. Todos os institutos do complexo estão precários. As divisórias são feitas com papelão, o que facilita curtos circuitos. Além disso, como o prédio é antigo, está aumentando a exigência de eletricidade com equipamentos novos”, afirma.
O secretário-geral da ABPC, afirma que o Instituto está com equipamentos de R$ 2 milhões fechados em caixas porque a energia do local não suporta.
MEDIDAS
De acordo com a direção da Polícia Civil, o prédio do IC não tem condições de ser reformado. Portanto, ele deverá ser demolido e uma nova edificação será construída. A justificativa é que seriam gastos muitos recursos para uma reforma que não garantiria que problemas semelhantes ocorreriam futuramente. As medidas emergenciais para não atrasar o registro de provas e a realização de perícias já estão sendo tomadas, garantiu a direção. Como
os peritos ficaram sem alojamento, as perícias em locais de crimes e acidentes estão mais lentas.
Os policiais ficam em outros institutos da polícia e são chamados quando necessário. Uma análise preliminar mostrou que o incêndio começou em um alojamento masculino e se estendeu até o protocolo. Como o forro e as divisórias eram de madeira, o fogo se alastrou rapidamente e atingiu 600 metros quadrados do prédio, que foi interditado após o incêndio. O resultado da perícia sai em 30 dias, mas a principal suspeita é que tenha ocorrido um problema na rede elétrica.
Fonte: Jornal de Brasília
Segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012