Nos últimos 30 dias, ocorreram cinco ataques com explosivos em quatro municípios (ver quadro abaixo). A suspeita é de que se trata de um mesmo grupo.
Uma das primeiras ações da PF para chegar aos bandidos é rastrear o material usado para detonar os cofres. Desde a investida dos criminosos à agência do Banco do Brasil em Dom Feliciano, em 5 de março, a PF já movimenta seus agentes para tentar chegar aos bandidos. Naquele dia, um perito em bombas da PF esteve na cidade como observador, acompanhando o levantamento pericial no local por técnicos do Instituto-geral de Perícias.
O tipo de explosivo usado ainda é desconhecido, mas uma das suspeitas é de que tenha origem no Exterior. Os agentes da Delepat estão em contato com colegas em delegacias em cidades de fronteira com Uruguai, Argentina e Paraguai, na tentativa de identificar contrabandistas de artefatos explosivos. Os federais também investigam se a quadrilha que ataca bancos tem ramificações em outros Estados.
Também estamos atentos ao que acontece e vamos unir esforços para tirar essa quadrilha de circulação afirmou o delegado Cléberson Alminhana, da Delepat.
Alminhana disse que a participação da PF nas buscas não é uma intromissão ao trabalho do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Desde maio de 2002, com a entrada em vigor da lei federal 10.446, a PF está autorizada a agir em casos de furto, roubo ou receptação de cargas, bens e valores, transportadas em operação interestadual ou internacional, quando houver indícios da atuação de quadrilha ou bando em mais de um Estado, sem prejuízo da responsabilidade dos órgãos estaduais .
Ação de quadrilha desperta surpresa em âmbito nacional
Há dois anos, a PF também atuou na repressão a quadrilheiros envolvidos em roubo, furto e clonagem de veículos, desarticulando uma rede que remetia carros ao Paraguai. O diretor do Deic, Ranolfo Vieira Junior, destaca que tem excelente relacionamento com organismos de segurança e que uma integração sempre é positiva.
A ação da bando dos explosivos já desperta surpresa em âmbito nacional. Ontem, durante o Seminário de Segurança Bancária promovido pelo Banrisul em Porto Alegre, o assunto fez parte dos debates entre especialistas e autoridades gaúchas e do país.
É preocupante o que está acontecendo aqui. Houve dois casos semelhantes no ano passado no Pará e no Maranhão, mas com essa intensidade é surpreendente afirmou Pedro Oscar Viotto, diretor de Segurança Bancária da Federação Brasileira de Bancos.
Antonio Celso Brasiliano, especialista em gestão de riscos corporativos, acredita que os criminosos tenha escolhido o Rio Grande do Sul para testar uma nova modalidade de ataque.
Ataques anteriores
IGREJINHA
- 10 de fevereiro Criminosos armados explodiram dois caixas eletrônicos localizados dentro do supermercado Unidão, durante a madrugada. O estrondo provocado pela explosão foi tão forte que assustou os bandidos. Eles abandonaram o local, cuja entrada ficou destruída, sem levar nada
SERTÃO SANTANA
- 18 de fevereiro Armados com fuzis, ladrões invadiram a agência do Banco do Brasil e explodiram o cofre durante a madrugada. Fugiram levando uma quantia não divulgada em dinheiro. Chegaram a disparar contra moradores. Ninguém ficou ferido. Parte do teto do banco despencou
DOIS LAJEADOS
- 2 de março Outra agência do Banco do Brasil, dessa vez no município do Vale do Taquari, foi alvo de bandidos. Os criminosos entraram no estabelecimento e explodiram o cofre, danificando o prédio. Segundo testemunhas, usavam armas grandes, semelhantes a fuzis. Fugiram levando uma quantia não informada em dinheiro
DOM FELICIANO
- 5 de março Por volta das 3h, uma quadrilha voltou a invadir uma agência do Banco do Brasil, só que na centro cidade no sul do Estado. Encapuzados e armados de fuzis, os bandidos arrombaram o banco, explodiram o cofre da agência e danificaram o prédio. O bando levou uma quantia não informada em dinheiro
IGREJINHA
- 8 de março No início da madrugada de segunda-feira, quatro encapuzados armados invadiram uma loja de conveniência de um posto de combustível na rodovia Igrejinha-Três Coroas (ERS-115) e detonaram o cofre com explosivos. Toda a arrecadação do final de semana foi levada.
Fonte: José Luis Costa
Zero Hora
Quinta-feira, 11 de março de 2010