Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais

 

Remédios jogados no lixão são periciados



A Polícia Federal (PF) encaminhou para a perícia técnica todos os medicamentos e materiais médico-hospitalares encontrados no aterro sanitário de Boa Vista, localizado no trecho sul da BR-174.

A PF investiga um suposto esquema que envolve superfaturamento e desperdício de remédios dentro da Dadimed (Divisão de Administração e Distribuição de Medicamentos), vinculada à Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo a investigação, a secretaria comprava remédios com a data de validade próxima ao vencimento e a preços superfaturados, de modo a realizar compras constantes com dispensa de licitação.

Os medicamentos, após terem o prazo de validade expirado e outros ainda dentro do prazo, eram descartados no aterro sanitário. Em seguida, novas compras eram realizadas mantendo em funcionamento o esquema, beneficiando servidores e empresas.

Segundo informação extraoficial apurada pela reportagem, peritos da PF localizaram medicamentos ainda dentro do prazo de validade no aterro. Entretanto, a polícia não confirmou a informação, em razão do sigilo da investigação. Também não informou quando o laudo técnico será concluído.

O Tribunal de Contas do Estado abriu auditoria especial para investigar o caso. As supostas irregularidades também são investigadas pelo Ministério Público Federal e Controladoria Geral da União.

O titular da Secretaria Estadual de Saúde, Rodolfo Pereira, nega que exista qualquer irregularidade na compra e descarte de medicamentos naquela pasta. Ele diz que foi o próprio Andreide Sobral César, ex-funcionário de uma empresa tercerizada que denunciou o suposto esquema, o responsável pelo descarte de medicamentos dentro do prazo de validade junto a outros vencidos.

Segundo ele, o ex-servidor teria feito isso para incriminar a atual gestão. O descarte de medicamentos, segundo Pereira, é comum, uma vez que alguns medicamentos são substituídos por outras fórmulas mais avançadas enquanto outros são avariados.

Já Andreide César, assegura que agiu como cidadão, sem interesse particular. Ele nega que seja o responsável pelo descarte dos medicamentos e refuta a acusação de que tenha agido de forma leviana ou por motivações políticas , como acusa o secretário de Saúde.

Fonte: Andrezza Trajano
Folha de Boa Vista
Quinta-feira, 09 de setembro de 2010



Postado por: William Grangeiro
Data da postagem: 9/9/2010
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