No caso Richtofen, a perícia foi decisiva para chegar aos culpados pelo assassinato do casal Marisia e Manfred: a filha, Suzane, o namorado, Daniel, e o irmão dele. “Cada vez que eles tentavam enganar a perícia, eles davam uma prova a mais de que eram pessoas muito ligadas às vítimas”, explica o perito Ricardo Salada.
Salada foi o primeiro a chegar à casa da família Richtofen depois do crime, e logo percebeu que havia algo estranho. “Tinha uma bagunça organizada, uma bagunça orientada, bem diferente do que ocorre em latrocínios”, ele lembra. No quarto do casal, o revólver deixado por supostos ladrões também chamou a atenção. “A arma de fogo é como se fosse uma ferramenta de trabalho do ladrão, então ele jamais deixaria uma no chão, à vista”, diz Salada.
O perito é treinado para ver o que os outros não enxergam – e hoje, em São Paulo, eles têm equipamentos que ampliam essa visão. Com uma lanterna de luz ultravioleta, os técnicos fazem uma primeira varredura em busca de pistas; mais potente, um feixe de luz capta manchas que só são vistas com o auxílio de uma lente especial.
Outro passo importante da investigação dos peritos é a coleta das impressões digitais. Esse tipo de trabalho normalmente é feito quando o crime acontece em locais fechados; o procedimento é feito em maçanetas, móveis, vidros, metais, espelhos e até em pedaços de papel.
A perícia é um trabalho delicado, que exige, antes de tudo, a preservação da cena do crime. “O local tem que ser preservado o máximo possível, para que os vestígios que vão ser analisados sejam os mais reais possíveis”, explica Ricardo Salada.
Fonte: Jornal Hoje