"O crime não compensou" (com nota-protesto da APCF)
No mesmo 8 de agosto de 2005, pouco depois de estourar pelo mundo a notícia de que o Banco Central de Fortaleza havia sofrido o segundo maior furto a banco da história, o delegado federal Antônio Celso dos Santos, 48, foi avisado de que precisaria deixar Brasília por uns dias e vir ao Ceará acompanhar a investigação pessoalmente. Fazia tempo que não vinha à terra de sua mãe. No dia seguinte, ele estava literalmente na terra, a roupa suja de areia, percorrendo o interior do túnel de 80 metros por onde a ousadia de uma quadrilha conseguiu retirar três toneladas de cédulas de 50 reais. O grupo havia furtado R$ 164.755.150,00.
Nota da APCF:
Ao tomar conhecimento da entrevista concedida pelo delegado Antônio Celso ao jornal O Povo, do Ceará, o presidente da APCF, Octavio Brandão Caldas Netto, manifestou indignação pela forma como o entrevistado abordou o trabalho dos peritos no caso do Banco Central. “Quando o delegado diz que ‘os colegas peritos fizeram bem a perícia e nem interferimos muito’ compromete a credibilidade deste e de qualquer outro trabalho pericial, além de criar uma indevida suspeição sobre a independência funcional irrestrita que devem possuir os peritos para a produção da prova material. É preciso deixar bem claro que os peritos criminais federais não admitem nenhum tipo de interferência nos trabalhos que desenvolvem, e se um dia isso ocorrer acionaremos imediatamente o Ministério Público Federal. A forma preconceituosa do delegado para com os colegas peritos ficou ainda mais evidente quando ele se referiu ao quadro do DPF, esquecendo-se de incluir, entre os cargos policiais, o de perito criminal federal. É muito importante que fiquemos atentos para denunciar erros similares a estes, acionando as diretorias regionais e executiva da APCF”, declarou Brandão. O fato será levado ao conhecimento do diretor-geral do DPF.
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